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FERROVIAS DA ÍNDIA
Um gigante dentro do país

DO REDATOR DE DESPERTAI!  NA ÍNDIA

 

A Ferrovia Konkan — Uma maravilha da modernidade

Konkan é uma faixa de terra com cerca de 75 quilômetros de largura, no ponto mais largo, situada na costa oeste da Índia, entre o mar da Arábia e a cadeia de montanhas Sahyadri. Estendendo-se ao sul de Bombaim, centro comercial da Índia, até o importante porto de Mangalore, Konkan tem muito a oferecer em termos de comércio. Por muitos séculos, os portos ao longo da costa cuidavam desse comércio, não só para a Índia, mas também para outros países. Como a navegação marítima era muito perigosa — especialmente durante as monções, quando os rios também ficavam inavegáveis —, usavam-se rodovias e ferrovias para contornar muitos obstáculos naturais. Os moradores da região queriam um acesso rápido e direto via terrestre ao longo da costa a fim de transportar mercadorias com rapidez, principalmente as perecíveis, até grandes mercados. Qual foi a solução?

Konkan foi o maior projeto ferroviário do subcontinente no século 20. O que estava envolvido? Foi necessário construir 760 quilômetros de trilhos, diques de até 25 metros de altura e fazer cortes com 28 metros de profundidade. Além disso, foi preciso construir mais de 2.000 pontes, incluindo o viaduto Panval Nadi — o mais elevado da Ásia, com 64 metros de altura e que se estende sobre um vale de 500 metros de largura — e a ponte sobre o rio Sharavati com mais de dois quilômetros de comprimento. Também foi preciso escavar 92 túneis, seis deles com mais de três quilômetros de comprimento, para poder penetrar na cadeia de montanhas e propiciar às vias férreas o alinhamento mais reto possível. De fato, o túnel mais comprido da Índia até hoje é o Karbude, com seis quilômetros e meio de comprimento.

Os problemas eram enormes: chuvas torrenciais, deslizamentos de terra e de lama, abertura de túneis através de rochas maciças e, o que é mais difícil ainda, em solo caulínico, descrito como parecido a pasta de dente. Lidou-se com esses obstáculos naturais com técnicas de engenharia e tecnologia. Além de outras medidas de segurança, a ventilação nos túneis — por si só uma tarefa extraordinária — foi conseguida com a instalação de ventiladores de propulsão centrífuga a jato. Também, o que exigiu grande trabalho jurídico foi a compra das terras de mais de 42.000 proprietários.

No entanto, em 6 de janeiro de 1998, depois de apenas 7 anos de construção — um recorde para um projeto tão grande —, o primeiro trem começou a percorrer a Ferrovia Konkan. A viagem entre Bombaim e Mangalore é 1.127 quilômetros mais curta do que a rota sinuosa que se usava anteriormente, e o tempo de viagem diminuiu 26 horas. Para turistas que viajam de trem, a Ferrovia Konkan abriu novos horizontes com cenários magníficos e, para milhões de outras pessoas, uma região com economia incrementada.

 
 

Fairy Queen

A mais antiga locomotiva a vapor do mundo ainda em funcionamento é a Fairy Queen. Construída em 1855 pela empresa de engenharia Kitson, Thompson e Hewitson, em Leeds, Inglaterra, a máquina puxava vagões-correio da estação de Howrah, perto de Calcutá a Raniganj, em Bengala. Depois que parou de rodar em 1909, ela foi levada ao Museu Nacional da Ferrovia, em Nova Délhi, para alegria dos aficionados de trens. A fim de celebrar os 50 anos de independência da Índia, a velha locomotiva saiu do seu retiro. Desde 1997, a Fairy Queen Express vem apitando e carregando turistas no percurso de 143 quilômetros entre Délhi e Alwar, no Rajastão.


Publicado em Despertai!  de 8 de julho de 2002

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