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Jogos Eletrônicos |
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Há algum perigo para
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O menino de 12 anos “encurralou o oponente desarmado e encostou a arma na cabeça dele. ‘Você não tem saída!’, disse o garoto com um sorriso maldoso, enquanto zombava do personagem na tela. ‘Você é meu!’ O menino apertou o botão e deu um tiro bem no rosto do personagem, que girou e caiu, com o jaleco manchado de sangue. ‘É o seu fim!’, disse o menino, rindo”. |
ESTE episódio real foi descrito no artigo “Violência nos computadores
Um desses jogos ensina geografia e outro, a pilotar aviões. Há outros que desenvolvem o raciocínio lógico do jogador e sua habilidade de resolver problemas. Existem até jogos com objetivos terapêuticos. Por exemplo, um deles serve para ajudar pessoas com um distúrbio que as impede de ler corretamente. Alguns jogos também ajudam os jovens a melhorar sua aptidão para a informática, algo cada vez mais importante nesta época em que a tecnologia está em toda parte.
“Alguns jogos apresentam temas anti-sociais, como violência, sexo e linguagem obscena”, diz David Walsh, presidente do Instituto Nacional sobre Mídia e Família, dos EUA. “Infelizmente esses parecem ser os jogos mais populares entre crianças de 8 a 15 anos.”
Um estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que quase 80% dos videogames preferidos pelos jovens contêm violência. Rick Dyer, presidente da empresa Virtual Image Productions, diz: “Não são mais apenas jogos. São instrumentos de aprendizado. Estamos mostrando às crianças — da maneira mais inacreditável
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Alguns dizem que existe ligação entre a violência nos jogos e a agressividade dos jogadores |
Já em 1976, a opinião pública ficou chocada com a violência encontrada num jogo de fliperama chamado Death Race. O objetivo do jogo era atropelar pedestres que caminhavam de um lado para o outro na tela. Quem atropelava mais gente ganhava. Os novos games mais sofisticados têm qualidade gráfica muito melhor e permitem que os jogadores participem em atos violentos ainda mais realistas.
No jogo Carmageddon, por exemplo, o jogador terá atropelado e matado umas 33.000 pessoas ao chegar à última fase. Uma seqüência desse jogo foi descrita assim: “As vítimas não são apenas esmagadas pelos pneus do seu carro, com sangue jorrando no pára-brisa
Será que toda essa simulação de violência é prejudicial? Já foram realizados aproximadamente 3.000 estudos sobre o assunto. Muitos sugerem que existe, sim, uma ligação entre a violência nos jogos e o aumento da agressividade dos jogadores. Muitas vezes, episódios de violência juvenil são ligados a esses jogos.
Alguns especialistas minimizam a influência dos jogos, dizendo que se deve levar em conta outros fatores, como a possibilidade de que os jovens já tenham tendências violentas e por isso escolhem esse tipo de jogo. Mas não é possível que os jogos violentos ainda assim tenham alguma influência? Não parece muito razoável afirmar que as pessoas não são influenciadas por aquilo que vêem. Se isso fosse verdade, por que as grandes empresas gastariam bilhões de dólares por ano em publicidade na TV?

A maioria das pessoas resiste à idéia de tirar a vida de outro ser humano. Um objetivo do treinamento militar é justamente vencer essa resistência natural dos soldados. Por exemplo, os militares descobriram que muitas vezes se conseguia isso com os soldados de infantaria simplesmente usando alvos em forma de silhueta humana nos exercícios de tiro, em vez de alvos comuns, redondos. O psicólogo militar David Grossman, autor do livro On Killing (Como Matar), afirma que a violência nos jogos de computador ensina as crianças do mesmo modo, desenvolvendo nelas “a habilidade e a vontade de matar”.
Segundo uma pesquisa publicada no periódico Journal of Personality and Social Psychology, a violência nos videogames e jogos de computador talvez seja ainda mais perigosa do que aquela mostrada na TV ou no cinema, visto que o jogador assume o lugar dos personagens que praticam a violência. A televisão nos torna espectadores da violência; os jogos eletrônicos nos fazem participar dela. Além disso, uma criança talvez passe apenas algumas horas assistindo a um filme, mas ela pode gastar até 100 horas para dominar um videogame típico.
Alguns países adotaram um sistema de classificação para indicar que jogos extremamente violentos são apenas para adultos. Mas um sistema desses só funciona se a lei for cumprida. Um estudo nos Estados Unidos mostrou que 66% dos pais entrevistados nem conheciam o sistema de classificação. O diretor da Comissão de Classificação de Software Recreativo disse que o sistema não foi primariamente projetado para evitar que as crianças obtenham certos jogos. Ele explica: “Nosso papel não é dizer o que é ou não de bom gosto. Nós damos aos pais os meios de decidir o que querem ou não querem para os filhos.”
Os novos games jogados na Internet com pessoas de todo o mundo permitem que cada jogador escolha o papel de determinado personagem que, para progredir, precisa superar diversos desafios. O jogador investe muito tempo no seu personagem, o que lhe dá um senso de realização e faz com que ele queira jogar de novo. Para alguns, o jogo parece ser um vício
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Sala de jogos pela Internet, em Seul, Coréia |
A revista Time noticiou que ultimamente na Coréia do Sul um jogo em rede que tem feito muito sucesso é o Lineage. Esse jogo se desenrola num cenário medieval e, para passar pelas várias fases, os usuários procuram atingir determinados cargos. Alguns jovens jogam a noite inteira e depois acham difícil ficar acordados na escola no dia seguinte. Os pais ficam preocupados, mas nem sempre sabem como lidar com o problema. Um jogador jovem explicou em uma entrevista: “Quando me conhecem pela Internet, as pessoas acham que eu sou ‘fera’, mas quando me encontram ao vivo, dizem que eu deveria perder peso.”
O psicólogo coreano Joonmo Kwon dá a sua explicação para a popularidade do Lineage: “Na vida real, na Coréia, você tem de reprimir seus impulsos e desejos ocultos. Mas pode expressá-los no jogo.” Assim, os jovens fogem da realidade para um mundo de fantasia. Um comentarista descreveu os jogadores de games de maneira muito sagaz ao dizer: “Para o jogador, o mundo dos games é muito mais atraente do que a realidade, que é apenas um lugar onde ele ganha o dinheiro necessário para continuar jogando.”
Estatísticas norte-americanas indicam que o aluno mediano da sexta série assiste a quatro horas diárias de TV
Relatórios indicam que uns 40% das crianças norte-americanas entre cinco e oito anos são clinicamente obesas. Um fator que provavelmente contribui para o problema é a falta de exercícios devido ao tempo excessivo gasto em frente da TV ou da tela do computador. Uma empresa até criou um aparelho de ginástica que pode ser usado enquanto a pessoa joga no computador. Mas é claro que seria muito melhor limitar o tempo gasto com esses jogos, participando em outras atividades que ajudem a criança a desenvolver uma personalidade equilibrada.
Outro problema de saúde que pode surgir: olhar para a tela por muito tempo pode ser prejudicial aos olhos. Segundo algumas pesquisas, pelo menos um quarto dos usuários de computador têm problemas visuais. Uma razão é que a pessoa tende a piscar menos, o que resseca os olhos e causa irritação. Piscar limpa os olhos, estimulando a produção de lágrimas e retirando os poluentes.
Visto que as crianças não têm muita consciência dessas coisas, muitas vezes jogam no computador por horas a fio, com poucas interrupções. Isso pode gerar fadiga visual e problemas para focalizar as imagens. Os especialistas sugerem que se façam intervalos regulares de vários minutos a cada hora de uso do computador.*
Jogos eletrônicos — Um resumo dos perigos
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O interesse pelos jogos em rede parece estar aumentando no mundo todo. Surgem cibercafés em toda parte. Em alguns desses estabelecimentos
Sem dúvida, a indústria dos jogos vai de vento em popa. Espera-se que o mercado de jogos em rede cresça mais de 70% nos próximos cinco anos.
Mas é evidente que essa indústria próspera também apresenta perigos bem reais. Ninguém
É exatamente como diz a Bíblia: “Está mudando a cena deste mundo.” (1 Coríntios 7:31) E, ao que parece, nada muda mais rápido do que a indústria do entretenimento. Quando tentam acompanhar as tendências e influências que assediam seus filhos dia após dia, alguns pais ficam apavorados. Mas não há motivo para desespero. Muitos pais são bem-sucedidos em criar os filhos, ajudando-os a se concentrar no que é realmente importante. As crianças, como todos nós, precisam saber que nossas verdadeiras necessidades nunca poderão ser preenchidas pela diversão
* Além disso, alguns recomendam que todos os usuários de computador relaxem os olhos a cada 15 minutos, focalizando-os em objetos mais distantes do que a tela. Outros sugerem sentar-se a pelo menos 60 centímetros da tela e evitar usar o computador quando se está cansado.
Como largar o vício
Thomas, um cristão de 23 anos, relembra: “Quando estava na escola, eu negligenciava a lição de casa por causa dos games. Mais tarde, outras coisas foram afetadas. Continuei jogando, mesmo depois que me tornei ministro voluntário de tempo integral. Por fim, me dei conta de que isso me tomava muito tempo e energia. Às vezes eu jogava antes de ir ao ministério ou a uma reunião cristã e, por isso, achava muito difícil me concentrar: ficava só pensando em como resolveria um desafio do jogo quando chegasse em casa. Negligenciei o estudo pessoal e a leitura regular da Bíblia. Comecei a perder a alegria de servir a Deus. “Uma noite, eu estava deitado. Já era tarde, mas eu senti que não podia continuar vivendo daquele jeito. Levantei, liguei o computador, selecionei todos os jogos e apertei a tecla de deletar. Pronto! Em um segundo, todos os jogos tinham desaparecido. Foi muito difícil fazer isso. Percebi que eu estava muito mais ligado aos jogos do que imaginava. Mas também senti um grande alívio porque sabia que aquilo era para o meu próprio bem. Admito que comprei alguns jogos depois disso. Mas agora eu me policio muito mais. Assim que percebo que o hábito de jogar está fugindo do controle, simplesmente aperto a tecla de deletar novamente.” |
| Publicado em Despertai! 22 de dezembro de 2002 |
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