Mães adolescentes — calamidade mundial | ||||
![]() |
Gravidez precoce
|
|||
|
Nesta série:
Assuntos relacionados: |
A GRAVIDEZ precoce vem sendo comparada a uma epidemia. É no impacto sobre uma adolescente assustada que se vêem as trágicas proporções desse problema. Para dizer o mínimo, ela vai experimentar mudanças drásticas na vida que deixarão marcas profundas não apenas em si mesma, mas também na família e em outras pessoas queridas. Os adolescentes estão numa fase da vida que a Bíblia chama de “flor da juventude” Fatores que contribuem para o problemaAs pesquisas mostram que muitas mães adolescentes são de famílias com pais separados. “Durante toda a minha vida, sempre quis ter uma família verdadeira”, é a declaração mais comum de muitas jovens grávidas. Portanto, fica evidente que uma família com problemas é uma das causas da gravidez precoce. Um programa de assistência a mães adolescentes constatou que elas quase sempre têm “relacionamentos instáveis com a mãe e nenhum com o pai”. Anita, mãe aos 18, lembra que ainda sentia um vazio emocional criado pela falta do pai, embora sua mãe sem cônjuge trabalhasse muito a fim de prover o sustento para a família.
Quando os pais se separam, aumenta o risco de gravidez na adolescência Outras jovens se tornam mães solteiras como resultado direto de estupro. Para algumas delas, parece que o trauma desencadeia uma dor emocional que se manifesta mais tarde em comportamento destrutivo. Jasmine, por exemplo, foi vítima de estupro aos 15 anos. Lembrando dessa ocasião, ela comenta: “Depois disso, tornei-me autodestrutiva. Aos 19, fiquei grávida.” O abuso sexual também pode desencadear sentimentos de inutilidade. “Nunca me senti digna de nada”, lamenta Jasmine. Anita passou por uma provação semelhante: “Fui molestada por um rapaz dos 7 aos 11 anos. Odiava a mim mesma. E me culpava pelo que tinha acontecido.” Ela engravidou aos 17. Por outro lado, algumas jovens se tornam vítimas de seu próprio excesso de confiança e curiosidade. Nicole, citada no artigo anterior, admite: “Eu achava que tinha todas as respostas do mundo, que era capaz de fazer tudo que quisesse. Infelizmente, também era capaz de ter um bebê.” Carol, outra que se tornou mãe solteira bem jovem, teve a primeira experiência sexual para satisfazer sua curiosidade. Ela diz: “Sentia que havia coisas na vida que eu estava perdendo.” |
||||
Fatos estarrecedores sobre a gravidez precoceEmbora descrevam a situação nos Estados Unidos, as estatísticas abaixo correspondem a algumas situações com que se confrontam adolescentes grávidas no mundo todo.
Taken from Not Just Another Single Issue: Teen Pregnancy Prevention’s Link to Other Critical Social Issues, The National Campaign to Prevent Teen Pregnancy, February 2002. |
|||||
|
Ignorar algumas das conseqüências da prática do sexo é mais um fator. Na Grã-Bretanha, segundo os sociólogos Karen Rowlingson e Stephen McKay, algumas jovens “não sabem exatamente . . . o que esperar dos relacionamentos nem o que significa engravidar”. Algumas jovens aparentemente não têm idéia da relação que existe entre sexo e gravidez. Numa pesquisa, mães adolescentes “relataram com freqüência que ficavam chocadas ou surpresas de descobrir que estavam grávidas, mesmo não tendo usado nenhum método contraceptivo”.
Algumas jovens aparentemente não têm idéia da relação que existe entre sexo e gravidez No entanto, foram as mudanças de conceito a respeito do sexo que tiveram a maior influência no aumento da gravidez precoce. Vivemos numa época em que as pessoas são “mais amantes de prazeres do que amantes de Deus”. (2 Timóteo 3:1-4) As pesquisadoras australianas Ailsa Burns e Cath Scott observam que houve “uma redução nas sanções sociais, religiosas e econômicas em relação ao sexo fora do casamento”. Ter um filho sem estar casada talvez não tenha o mesmo estigma que tinha no passado. Não é de admirar que em algumas regiões os adolescentes encarem ter um bebê como uma espécie de troféu ou status! Conseqüências emocionaisAs realidades da gravidez precoce são bem diferentes das fantasias juvenis. Ao ficarem sabendo que estão grávidas, as jovens não raro se confrontam com um turbilhão de emoções. Muitas admitem que ficaram chocadas ou atordoadas. “Raiva, culpa e recusa são reações comuns”, diz a Academia Americana de Psiquiatria de Crianças e de Adolescentes. A recusa pode ser perigosa, visto que inibe a jovem de buscar o acompanhamento médico necessário. “Fiquei morrendo de medo”, lembra-se Elvenia falando do momento em que teve de encarar o resultado de sua “aventura” sexual. Muitas jovens grávidas não têm ninguém em quem confiar ou ficam envergonhadas demais para conversar sobre a situação. É compreensível, portanto, que algumas se sintam arrasadas pela culpa e pelo medo. Muitas delas sofrem também de depressão profunda. “Não me preocupava muito com a minha vida, aliás, não me importava nada se morresse”, comenta Jasmine.*
A gravidez afeta de maneira dramática tanto a adolescente quanto seus familiares Não importam quais sejam as reações iniciais da jovem, ainda assim terá de tomar uma série de decisões de longo alcance, que afetarão a ela e ao bebê. Como tomar decisões sensatas é o assunto do próximo artigo. * Para informações sobre como lidar com tendências suicidas, leia os artigos da série “Vale a pena viver”, na Despertai! de 22 de outubro de 2001.
|
|||||
Gravidez na adolescência
|
|||||
Publicado em Despertai! de 8 de outubro de 2004 |